Tem certos dias que eu começo errando. De erro em erro, desabo em vários mini-erros que vão se estendendo ao longo das horas. O dia não passa. Costuma ser o dia em que a hora na fila não colabora, a hora na aula não passa, naquela reunião infinita de trinta minutos que dura uma vida inteira (e de inteira, saio só o pó) e por assim vai. Nem todo dia tem surpresa ou arco-íris. Nem todo dia pode acontecer o inexplicável. Tem dias que só acontecem o que tem de acontecer. Quer coisa mais chata? Pois é. Pior: pode acontecer o que não queremos o que acontece, ou seja, o imprevisível.
Nem todo dia é para ser sorridente. E nem sempre eu tenho que ser forte. Pode ser que a roupa tenha ficado apertada. O humor não cabe na situação. O ânimo evaporou ou é o calor? Isso é cheiro de fumaça de cigarro ou é o estresse subindo? Ás vezes, para tanta gente essas duas coisas acontecem juntas. Um dia, eu acordo e de cara tropeço. Quebro um copo sem perceber na cozinha. Quando se vê, já me irrito. Um e-mail chega do trabalho com mais afazeres, e eu me pergunto: o que faço de mim?
Esperar passar é uma atitude que geralmente adoto para remédios quando tomo. Sem minha vontade, o remédio prossegue ali, na indústria farmacêutica. Até o remédio me mostra que se eu não tomar um certo grau de atitude, a mais simples, que é ir lá, destacar o remédio da cartela, pegar um copo d’água e botar pra dentro, não vai rolar ação. A química das soluções, até para um dia ruim, pode ser que esteja entre a atitude que não tomamos e a transformação que temos medo de assumir. O mínimo que faço de mim, é tentar.
Tem dias que nem se eu parar um pouco vai fazer com que o mundo pare de desmoronar. Ás vezes o caos tem vontade própria mesmo – e nessas horas, eu prefiro atravessar, sem controlar. Sei que no final do dia, uma cama me espera. E eu espero ela, felizão. Isso também é uma atitude. Saber a hora de parar e recuperar o que restou de si mesmo.


