O encontro perfeito

Você se programa. Corta os fios indesejados da barba, desenha o rosto pela dança da gilete entre os fios, entre o espelho e você. Relação olho no olho assim, como quem se pergunta o desenrolar dessa noite. Você escolhe o lugar perfeito para ir. Convida. Opa, foi aceito o convite. Não precisa buscar, ele vai sozinho ao lugar. Será um encontro sem previsão, filme sem trailer: nem foto foi mandado, o pacote completo será aberto na hora da certeza de se encontrar. Ô nervosismo.

As borboletas se parecem muito com as vespas dançando de cá para lá, de lá para cá no estômago. As gotas de suor pingavam, será medo, será que ele vai de bermuda ou calça, esse perfume está muito forte mas aquele outro talvez não combine com o clima de dentro, do mundo, das energias, como se elas importassem agora. Parece que sim, neste relance antes do encontro, todas as desimportâncias importam.

E a hora não passa. Faltam trinta minutos.

Parece nada estar certo. Ao banho você retorna. Ensaboa o corpo, hidrata o coração: é hoje que você irá se permitir com alguém. Difícil né? O sabonete ao tocar as suas profundas dúvidas se isso iria dar certo, passa ligeiro. Nada de pensar, nada de gatilho. Você se envolve das melhores ousadias jamais usadas: você pretende ser a melhor escolha da noite e o prato principal ninguém sai antes de provar. Se der tempo para sobremesa, o jogo está ganho. Antes disso, limpa coração, limpa os resíduos da insegurança.

Veste de si mesmo. Olha no espelho e se vê como jamais vira antes: é hoje.

Abre o carro, bota uma canção do Khalid e nada parece ser melhor que isso. Já são 15 minutos para as oito, as reservas estão lá e ele nada de mensagem. Talvez o trânsito, o jogo dos desinteressados, o jogo da sedução que nunca pensava ser jogo. Quantas coisas pensavam não ser coisas e só sensações. Como sentia falta da simplicidade. Sapato nem tão chic nem tão surrado. Coração nem tão sangrento, nem passado: ao ponto de disparar.

Você entra no restaurante. Luz baixa, conversas de canto de ouvido, arrepio na certa. O lugar te chama para o romance. Lá, está você, na hora. Ele não responde as mensagens. Na esquerda, tem um casal dividindo um café, quase uma releitura de a Dama e o Vagabundo. Pela direita, os garçons se olhando após você dizer que estava esperando alguém.

Passam-se vinte minutos. Você rola as mensagens e ao menos está visualizado. Desde a primeira é lida, em busca da resposta: será que ele mencionou atrasar? Não consta no texto. Passam-se trinta minutos e você pede uma entrada e um garrafa de vinho com duas taças. Talvez ele venha. Vinho tinto, sangue efervescente perdendo as espumas do desejo. O que lhe faltou? Vontade? Uma roupa? Um motivo? Talvez. Quando percebeu, a garrafa de vinho se foi. O garçom, passa do lado. Pergunta se ele está esperando alguém e não foi correspondido.

Você diz sim.

O garçom senta e diz que sente muito.

As coisas voltaram a sentir. A noite só está começando.    

nem sempre dá pra ser forte

Tem certos dias que eu começo errando. De erro em erro, desabo em vários mini-erros que vão se estendendo ao longo das horas. O dia não passa. Costuma ser o dia em que a hora na fila não colabora, a hora na aula não passa, naquela reunião infinita de trinta minutos que dura uma vida inteira (e de inteira, saio só o pó) e por assim vai. Nem todo dia tem surpresa ou arco-íris. Nem todo dia pode acontecer o inexplicável. Tem dias que só acontecem o que tem de acontecer. Quer coisa mais chata? Pois é. Pior: pode acontecer o que não queremos o que acontece, ou seja, o imprevisível.  

            Nem todo dia é para ser sorridente. E nem sempre eu tenho que ser forte. Pode ser que a roupa tenha ficado apertada. O humor não cabe na situação. O ânimo evaporou ou é o calor? Isso é cheiro de fumaça de cigarro ou é o estresse subindo? Ás vezes, para tanta gente essas duas coisas acontecem juntas. Um dia, eu acordo e de cara tropeço. Quebro um copo sem perceber na cozinha. Quando se vê, já me irrito. Um e-mail chega do trabalho com mais afazeres, e eu me pergunto: o que faço de mim?

            Esperar passar é uma atitude que geralmente adoto para remédios quando tomo. Sem minha vontade, o remédio prossegue ali, na indústria farmacêutica. Até o remédio me mostra que se eu não tomar um certo grau de atitude, a mais simples, que é ir lá, destacar o remédio da cartela, pegar um copo d’água e botar pra dentro, não vai rolar ação.  A química das soluções, até para um dia ruim, pode ser que esteja entre a atitude que não tomamos e a transformação que temos medo de assumir. O mínimo que faço de mim, é tentar.

            Tem dias que nem se eu parar um pouco vai fazer com que o mundo pare de desmoronar. Ás vezes o caos tem vontade própria mesmo – e nessas horas, eu prefiro atravessar, sem controlar. Sei que no final do dia, uma cama me espera. E eu espero ela, felizão. Isso também é uma atitude. Saber a hora de parar e recuperar o que restou de si mesmo.

Por trás da palavra coragem

Por trás da palavra coragem, sabemos que há uma estrada esburacada. Há desgaste, há estrada percorrida, como também, alguns quilômetros à vista. Sempre achei uma qualidade carregada de bagagem ao dizer para certa pessoa (ou atitude) era corajosa, não pelo meu receio da vida, mas por reconhecer, que para muitos a vida nunca foi palco para aplausos. Mas, é aquele famoso ditado de Maya Angelou: sem coragem, não há virtude.

Essa escritora, essa mulher gênia que recentemente descobri, tem uma entrevista imperdível. O rumo da conversa caminha mais ou menos por aí: “eu mencionei a palavra coragem e eu gostaria de dizer mais sobre isso. Encontrar coragem nos líderes, e em você, que se tornará líder. Coragem é a mais importante de todas as nossas virtudes, porque sem coragem, você não poderá exercer nenhuma das outras virtudes, consistentemente, entende? Não dá pra ser consistentemente gentil ou justo, ou humano ou generoso, não sem coragem, pois, se você não tem, mais cedo ou mais tarde, você parará e dirá ‘é muita ameaça, é uma dificuldade muito alta, o desafio é muito grandioso”.

Maya Angelou tem dessas de revirar nossa colcha de pensamentos. Coragem pode ser também combustível, porque nos movimenta à agir conforme o que acreditamos verdadeiramente. Nos potencializa a traçar uma rota boa – pensando que o caminho é muito mais prazeroso de caminhar quando se sabe por onde está passando. Com quem se está passando. Ao mesmo tempo, combustível por combustível, seria só um fogo sem sentido. Precisamos reconhecer o que nos é legítimo. Abrir faróis, expandir nossas formas de esclarecer a estrada. O que é nosso e nunca será. Quem nos coexiste, quem só existe no mundo. Mesmo com todas as dificuldades e estranhezas do caminho, parece quase um termo repetitivo, mas é fato: sabe quando te perguntam o para quê de existir do jeito que você existe reexiste e nessas horas, as palavras nos fogem? Pois é. Elas fogem porque sabemos que fugir de nós mesmos nunca foi opção.  

a faísca de nós dois

Existem fragmentos de uma vida que precisam ser relembradas. Recordar é viver. É trazer de novo certos gostos, emoções, episódios. Foi em um sábado gelado de Abril que, uma amada amiga musical me convidou para cantar em uma feira muito querida e amorosa da minha cidade. Curiosamente, a feira chama-se Faísca, e bastou isso, para atear fogo em todas as minhas confianças. A barriga, na hora, revirou. Fiquei amedrontado, inseguro de mim mesmo, da minha própria capacidade de fazer uma das coisas que mais amo, nesse caso, cantar, só que agora em público. Então expressei pra ela esse meu medo. Ela sorriu e mencionou: você não está sozinho, eu toco violão contigo.

Nessas horas solitárias em que a existência assusta, ter um outro do lado, alguém que te acompanha por certos labirintos, com as palavras certas nas horas incertas, é sempre um consolo. Então, vamos lá. Decidimos as músicas no meu ritmo. Cada ensaio um arrepio. Cada arrepio um sentido para me fortalecer. Mesmo assim, o medo aparecia, como um vento frio que assopra na fresta da janela da minha sala. Mostrando-se presente. Ainda assim, minha amiga permaneceu. No meio do caminho, nós avaliamos quem tem mais força. Foram alguns ensaios, uns mais intensos de emoção do que outros. Notamos que quando a emoção embarga a voz, não resta tantas palavras a serem ditas. Nos resta a ação.

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Chega o dia da feira. Tínhamos em média 11 a 12 canções. Amigos próximos foram chegando e acomodando-se nas cadeiras de plástico. Os organizadores da feira vieram, abraçaram-nos e aos poucos, os nós da garganta iam se desatando. Até a minha orientadora apareceu no evento. Mensagens de força e de afeto foram enviadas a mim. A primeira música saiu como uma conversa entre amigos e depois, mais uma, e outra, e outra. Quando vi, uma multidão de mulheres, que estavam fazendo ginástica nesse dia, pararam sua maratona e vão nos ouvir cantar. De repente, éramos todos e todas cantantes de um mesmo momento.

Geralmente, nesse último parágrafo, é a parte em que me permito fechar conclusões sobre a história que escrevo, mas, dessa vez, não vai acontecer. Algumas lembranças permanecem em aberto para que possamos retornar sempre. Aberta à novas sensações. Para não esquecermos do que/de quem é essencial. Serve para mostrar que entre correr o risco de enfrentar o medo ou deixar que ele anuvie a nossa lucidez é sempre uma opção. Depende de quem estamos falando. Sobre quem somos ou o que fizeram de nós.

sobre a saudade e os seus sintomas

           Sente-se. Esse é um texto sobre saudade e todos os clichês e açúcares que nele estão rondando. Pelo seu teor, deve afetar a nossa saúde – mas o que não afeta, não é mesmo? Eu sei, este texto é mais de uma das minhas tentativas de aproximar o que é da ordem do vivido para a ponta da caneta – e para a ponta das letras digitais e da língua, caso seja lido em voz alta. Não tem jeito, saudade sentida torna-se sintoma. Bem estilo Marisa Monte.

            O coração fica mais apertado. O peito dá uma esquentada e a gente jura que não é febre. Talvez uma reação do tempo, porque não? O outono deu sua cara, mas parece que se adiou também. Nada disso, deixa o clima fora dessa. O calor aí, vem de dentro e só se sabe (risos) que queima. Não se sabe bem o quê ou pra quê. A realidade também não é mais a mesma. Olha-se um livro na estante, ouve-se aquela canção repetitiva daquela cantora não binária sem friz no cabelo e como em um piscar de olhos: brota momentos, afetos, episódios de uma série já vista, de um filme já vivido com a(s) pessoa(s) que amamos, com quem a gente pensava ter todo o tempo do mundo – mas eis que o mundo tem o seu próprio. Paciência. Nunca vi palavra mais irritante.

            Eu preciso dizer que todos esses sintomas foram verificados somente em uma pessoa latina, no caso eu, de contexto bem limitado aos cômodos de sua residência classe média, restrita por uma quarentena. Duas frases e um quarto de linha, inúmeros privilégios sociais. Inclusive, saudade também é uma. O que cada um deixa no acervo de sentidos da memória, só nós sabemos. Resta um imperativo como este, de não poder mais sair de casa, que acessamos um arquivo muito secreto. Da ordem do arrepio, da vontade de estar ao lado do outro que te fez/faz tão bem, da surpresa que te fez despontar um riso, dos momentos cantarolantes, das intensidades. De estar perto de quem te lembra o que (como) é estar vivo. A gente se pega controlando o que sentir, até quando. Pois é, saudade é coisa séria.

Amar é querer estar perto, se longe; e mais perto, se perto.

            Mas eis uma revira-volta. Um passarinho me disse que adora sentir saudades. Eu, com todos os meus sintomas, perguntei (com a dramaturgia que corre nas minhas veias) o porquê. Eis a minha resposta: pela simples vontade de querer estar. Tem a impossibilidade de não estar, tá, isso estamos fartos de saber. Mas o sentido é outro: o de não ser um peso querer ficar. É parecida com aquela frase conhecida que o Caetano costuma cantar: “saudade até que é bom, melhor do que caminhar vazio”. Eu, saudosista que sou, não percebi o quão privilegiado também é, ser alguém que um outro alguém sente saudade. Isso é mágico – e já quero que essa quarentena acabe.

Quando a fantasia, no mundo de magia, entrou na dança

       “Dizem que alegria não faz mal, por isso entrei sem avisar” (O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas)

          Fazia um calor de quarenta e dois graus. Era um dos últimos dias do ano e o vento era o anfitrião mais travesso daquele momento, corria pelo quintal, passeava pelas saias, entornava os fios de cabelos que ficavam de pé, iguais aos homens que cantarolavam naquela roda de sanfona e o suor… transbordava na feição de todo mundo, escorrendo aos pingos, os risos de todos ali. Tudo ilustrava o verão: muito calor e melodia, das boas e antigas melodias.

         Finais de ano costumam ter sua magia. Talvez não venham das luzes nas praças, pode ser que não sejam as fantasias, os bonecos de neve feitos de isopor e a nossa tentativa frustrada de americanizar os feriados. Magia, na minha duvidosa opinião, é a nossa capacidade de ver resquícios de vida onde ela simplesmente aparenta não estar. Só aparenta, todavia, a vida costuma ser sorrateira quando quer, é claro. De repente, ela aparece. Como eu disse, a magia é habitual em finais de ano. Então retornemos a cena:

          Nesse mesmo dia de verão, um senhor com os olhinhos fechados sentiu vontade de dançar. Sinal positivo para o sanfoneiro, que não cessava de tocar. Calhou da moça, na sua frente, ter a mesma vontade. Reciprocidade é inspirador, não é? O sanfoneiro começa outra cantiga – de uma época na qual não pertenci, mas, naquele momento, tive a oportunidade de vivenciar na minha forma penetra de ser. Concede-me essa dança? Ela guiava ele, rodopiando no quintal. Ele, de olhos cegos e ela, sorridente, sorrindo com os passos. Naquela tarde ensolarada, os dois rodopiavam sem esbarrar em ninguém além do próprio desejo de dançar. As pessoas ao redor aplaudiam cada vez mais alto, fazendo crescer a música, os passos e os sorrisos.  Terminando a música, ele agradeceu a ela e aquela tarde ficou ecoando esse momento, tão mágico.

[...] a magia pode ser aquele minuto em que decidimos andar distraído, quando nos permitimos se surpreender com a vida. (1)

           O que dançar tem de mágico? Reformulando: o que não há de mágico nisso tudo? No final das contas, a magia pode ser aquele minuto que decidimos andar distraído, quando nos permitimos se surpreender com a vida. É parecido com o que o John Lennon cantarolava (dizia) em uma música dedicada ao filho: a vida é o que acontece contigo enquanto você está ocupado fazendo outros planos. A magia não é sistematizada, ela tem outros jeitos de existir. Arrepia, emociona, destrona o reinado do ideal para dar lugar ao plebeu livre, a despretensão. Fora do castelo pode ser mais surpreendente do que reinar o que não se pode ser controlado. Finais de ano, como eu disse, costumam ser, por alguns instantes, a dose precisa da magia que é necessário levar para seguir adiante.

Danço eu, dança você na dança da solidão.

[…] parece que não vês que as palavras são rótulos que se pegam às cousas, não são as cousas, nunca saberás como são as cousas, nem sequer que nomes são na realidade os seus, porque os nomes que lhes deste não são mais do que isso, os nomes que lhes destes. (José Saramago, As Intermitências da Morte)

          A dúvida costuma ser a peça que incomoda. Não é uma pedra enroscada, que de hora em hora, vai perfurando o calcanhar. Pelo contrário, vejo ela mais como um acontecimento: eis que surge um ponto de interrogação, ás vezes pequeno, em outros momentos chegam ser maiores do que eu, entretanto, para além do tamanho, costumam me movimentar para um lugar (talvez) inédito ou sem pistas. Para um lugar nunca antes habitado. Dessa vez, essa dúvida me transporta para uma pergunta feita ao longo desse ano: será que eu tenho a coragem de dar conta de ser só? O que é ser só? Será que eu dou conta de escrever um texto sobre isso, depois de um tempo tão distante de mim diante do papel?

        O passo mais importante, talvez seja esse. Hello, it’s me, prazer e perdoe-me a distância. Em tese, a palavra sozinho é proveniente do latim, solus; designando aquele/a que está só, carece de outro/a. Ser sozinho, é também uma questão filosófica, se por alguns instantes, relembrarmos de uma das questões levantadas pelo existencialismo. Estar só no mundo, além de ser uma condição do próprio ser, é também característica fundamental para fazer-se nesse mundo por meio de nossas escolhas e por sua vez, assumir a responsabilidade frente a nossa própria existência. A questão de ser só, não é novidade nesse mundo mundo vasto mundo.

           Estar só costuma aparecer nos fragmentos do dia – e é por aí, que quero adentrar. É o momento em que a casa se silencia. Talvez, seja aquela parte da cama vazia a muito tempo. É a experiência (ainda) nunca vivida, é o filme de romance que não passa na sua tevê (mesmo que passe nas tevês da maioria das outras pessoas). Outras vezes, é não ter quem cair nos braços depois de um dia exaustivo e dizer que “amanhã é sábado”. É não ter com quem dividir a conta: você que se arranje para pagar. Há cura para solidão? Na verdade, as perguntas que circundam essa condição, costumam ser as mesmas. Tal como as respostas. De tanto lutar e relutar… a gente se cansa dos mesmos placebos. Solidão não é doença, querido papel, eu é quem sou teimoso.

Primeiro texto

           Não há só poeira e esquecimento do mundo quando se está só. É um instante para reconectar com quem anda a tanto tempo preenchendo vazios com outros vazios (você). É um estalo rápido que abre a percepção de que não tem ninguém na cozinha e você pode dançar Macarena e rir das próprias estranhezas – e que a risada, é mais gostosa, quando não há sentido nenhum. É quando você pode reescrever o script da sua vida, apagar, rabiscar, refazer e todos os verbos que te colocam em um caminho, seja ele qual for, mas, que te façam pensar no possível e no impossível. Seja no País das Maravilhas ou se dar conta de que você pode, consegue: agora, o quê? É sempre um mistério.

          Porque nunca disseram isso? Custava escrever umas músicas sobre estar só que também entendesse esse momento, como uma chance de sermos melhores? O que verdadeiramente acontece é que, de tropeço em tropeço, o cansaço vai tornando-se presente. De tanto tentar encaixar, encontrar a metade faltante, a tampa da panela, o laço vermelho do outro lado do mundo, o oposto que atrai, o príncipe da meia-noite, a carruagem que te tira do real para a realeza, o encontro ideal… vamos percebendo que esse conto de fadas, foi escrito por outros e outras, com a sua própria beleza e abominação. Do teu texto, justamente esse, cabem as tuas palavras e vivências. Que sentido faz com o fato de estar só? Bem, é você quem vai viver para significar.